O que é Doutrina Social da Igreja?

O princípio fundamental de toda a doutrina social da Igreja baseia-se no facto de que os bens deste mundo estão originariamente destinados a todos, através do nº 69 da Constituição Pastoral Guadium et Spes de 7 de Dezembro de 1965 pode-se constatar isso: “ Deus destinou a terra com tudo o que ela contém para uso de todos os homens e de todos os povos: como consequência, os bens criados devem chegar a todos, não evidentemente de forma igualitária mas segundo a justiça, acompanhada pela caridade. Sejam quais forem as formas de propriedade, adaptadas às legítimas instituições dos povos, conforme as circunstâncias diversas e mutáveis, deve-se sempre atender a esse destino universal dos bens. Por isso o homem, ao usar dos bens não pode considerar as coisas exteriores que legitimamente possui unicamente como propriedade sua, mas também como comuns, no sentido de poderem ser úteis aos outros e não a si exclusivamente. “

Mais tarde o Papa João Paulo II no nº 31 da Encíclica Centesimus Annus de 1 de Maio de 1991 diz-nos que: “ Deus entregou a terra a todo o género humano, para que ela sustente todos os seus membros sem excluir nem privilegiar ninguém. Está aqui a raiz do destino universal dos bens da terra. “

Mas esta preocupação da Igreja pela criação de uma “ civilização do amor” (expressão proferida pela 1 ª vez pelo Papa Paulo VI em 1975), esteve sempre presente ao longo dos tempos. Numa das suas cartas ( 1 Jo. 3, 17 ), São João pergunta-nos: “ Se alguém possuir bens deste mundo e, vendo o seu irmão com necessidades, lhe fechar o seu coração, como é que o amor de Deus pode permanecer nele ?”

São João indica-nos pois que não é possível amar a Deus, se não amarmos os outros, em especial os que mais necessitam do nosso apoio. E o amor aos outros há-de levar-nos à partilha. Partilhar quer dizer que todos, sem excepção, hão-de ter parte daquilo que é comum, de modo a que todos possam viver com dignidade.